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08/08/2017

Nos dias 7 e 8 de agosto de 2017, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) promove a 3ª Jornada Internacional de Alfabetização/Edição Brasil. O evento acontece por meio do Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES) e pretende trazer a discussão da temática da leitura. Em 2017, diferentemente de anos anteriores, a jornada acontece em duas edições: em Portugal, na Universidade do Minho, e no Brasil, na UFRN.


Para seu desenvolvimento, a 3ª Jornada Internacional de Alfabetização conta com o apoio e a participação de pesquisadores da Universidade Livre de Bruxelas (ULB), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Estadual da Bahia (UESB).


São muitos os desafios na área da alfabetização no Brasil. Na literatura, os desafios giram em torno da leitura, escrita, oralidade, bem como os variados tipos e gêneros textuais e o estado da arte das recentes teorizações da Ciência da Leitura, com vistas ao alcance da compreensão leitora.


Para tal, a 3ª Jornada Internacional de Alfabetização está organizada em conferência, mesas redondas, workshops, minicursos, sessões de pôsteres e simpósios onde podem ser apresentadas pesquisas e relatos de experiências pedagógicas.


A Professora do Centro de Educação, Marly Amarilha, tem experiência na área de Educação e Letras, com ênfase em Teoria da Leitura e Ensino de Literatura e ministrará a Mesa Redonda "Literatura infantil e leitura no contexto acadêmico e escolar". Segundo ela, o evento mostra a importância que vem sendo dada, principalmente aqui da UFRN, ao problema da alfabetização que “lamentavelmente, o Brasil ainda não tem um desempenho satisfatório nessa área”. A 3ª Jornada será realizada no Auditório da Reitoria da UFRN.


| Educação e literatura infantil no Brasil


O campo da educação infantil no Brasil tem mostrado um elevado crescimento no que cabe a literatura infantil. Esse crescimento é evidente tanto no âmbito de políticas públicas, quanto no âmbito editorial. A Professora Marly Amarilha lembra da criação do Programa Nacional Biblioteca da Escola em que acervos de livros de literatura eram comprados e distribuídos para todas as escolas públicas brasileiras, desde da educação infantil e todo o ensino fundamental, até o ensino médio.


Com o projeto, a área ganhou visibilidade e serviu de publicização desses avanços. Os acervos desse projeto, são selecionados por especialistas, tornando o acervo que é levado as escolas, um conteúdo qualificado e especializado.


Segundo a professora, todos esses avanços ainda não são suficientes pela falta de qualificação dos professores na pratica escolar. “É muito comum, nós nos depararmos com escolas em que não há prática da leitura da literatura infantil e os professores não sabem que existem esses livros. As caixas chegam, são guardadas em armários, o diretor quer proteger porque as crianças vão estragar e então não é feito o aproveitamento devido deste material”, indaga ela.


Ainda se percebe a falta de disponibilização de disciplinas de literatura no currículo de pedagogia. A UFRN é uma das poucas universidades em todo o país que oferece esse tipo de disciplina. Além da falta, ainda existe as variantes do componente que, por vezes é eletiva e por vezes é optativa. E isso se dá, ainda segundo a professora, devido a veiculação da literatura ao currículo do curso de Letras. Esse ainda é um grande problema a ser enfrentado, de acordo com os processos de alfabetização, os pedagogos são responsáveis pelo primeiro contato com as crianças.


Os caminhos para esse recebimento e derrubamento dos obstáculos, se dá pela aceitação. E assim apela Marly Amarilha, “O espaço ainda não está suficientemente consolidado, não existe um convencimento geral da comunidade responsável pela formação do professor, da necessidade da literatura. A gente não consegue pensar processo de alfabetização sem a leitura de literatura, sem as primeiras histórias que cativam a criança para ler, sem os travas-línguas sem os primeiros poemas e tudo isso está na literatura e ela não está presente. ”

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